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Eu fui professora universitária por 12 anos. Lecionei ecologia e a questão da mudança do clima sempre esteve presente. Em 2014, alguns meses depois de começar a trabalhar no Ministério do Meio Ambiente, participei do desenvolvimento do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA). Desde então, trabalhar com adaptação, para mim, é encantador, pois entre muitos aspectos, envolve o bem-estar e a segurança das pessoas. É sobre estar preparado para lidar melhor no futuro com os desafios das secas, inundações, deslizamentos e tempestades que já afetam a nossa sociedade no presente", explica a bióloga e hoje analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Adriana Brito da Silva.

Adriana não está sozinha. Nos últimos anos, o tema da adaptação à mudança do clima foi incorporado à agenda de políticas públicas do país e engajou cada vez mais pessoas. Diversos atores, do setor público, privado e da sociedade civil, estão envolvidos e atentos à problemática. Há uma clara evolução na compreensão da importância da adaptação à mudança do clima enquanto pauta em instituições de âmbito nacional e local - e o ProAdapta fortalece os esforços do Brasil nessa missão.

Iniciado em 2017, o projeto ProAdapta tem como objetivo apoiar o governo brasileiro na implementação da agenda nacional de adaptação à mudança do clima, incluindo atores de diferentes níveis de governo, setor privado e sociedade civil. A iniciativa é fruto da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do Brasil e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN, sigla em alemão), no contexto da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI, sigla em alemão) e implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. Em 2025, o projeto ganhou um co-fincanciamento do Fundo Verde para o Clima (CGF), com o objetivo de levar a política nacional do clima para os estados e municípios brasileiros, e escalonar essa experiência em nível internacional.

Mas, afinal, o que é adaptação à mudança do clima? São medidas que podem ser entendidas como um conjunto de respostas aos impactos da mudança do clima, tanto os já observados ou vivenciados, quanto aqueles que ainda estão por vir. Essas medidas têm o objetivo de minimizar danos econômicos, ambientais e sociais, e, em alguns casos, podem até aproveitar potenciais oportunidades de desenvolvimento para uma região ou um grupo. 

Auxiliar atores diversos na busca de soluções efetivas para adaptação à mudança do clima é o grande propósito do ProAdapta.  

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Projeto ProAdapta: construção conjunta

O Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA) lançado em maio de 2016 pelo governo brasileiro, contou com o apoio da cooperação alemã para sua elaboração. Desde então o PNA tem sido a base para definição da atuação do projeto ProAdapta. Em 2025, o Plano foi atualizado e passou a se chamar Plano Clima – Plano Nacional sobre Mudança do Clima, incorporando tanto a mitigação quanto a adaptação em uma estratégia integrada de implementação da política climática nacional. Essa atualização, realizada com o apoio técnico do ProAdapta, incluiu o desenvolvimento dos 16 Planos Setoriais e Temáticos de Adaptação, fortalecendo a governança climática e ampliando a articulação entre governo federal, estados, municípios e sociedade civil para enfrentar os impactos da mudança do clima de forma mais coordenada e efetiva.

O ProAdapta apoia o MMA nas ações para coordenação, implementação, comunicação e monitoramento do PNA. O projeto também atua em parceria direta com entidades do setor público em diferentes níveis, além de organizações da sociedade civil e do setor empresarial. 

“O projeto ProAdapta tem sido um catalisador no desenvolvimento da temática de adaptação à mudança do clima no então Ministério de Infraestrutura (MINFRA). Por meio dele estamos realizando o levantamento dos impactos da mudança do clima para a infraestrutura de transportes, no intuito de orientar as políticas setoriais. Os resultados alcançados com o ProAdapta também servirão para começar o transition bonds, com propostas sustentáveis para recuperar nossas infraestruturas, considerando, por exemplo novas tecnologias para pavimentos, veículos elétricos, etc. Ou seja, são vários aspectos, que juntos, permitem que a infraestrutura de transportes seja considerada uma infraestrutura em transição para receber os green bonds (títulos verdes)”, explica a chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério de Transportes, Fani Mamede. 

A parceria entre o ProAdapta e o então MINFRA constituiu um verdadeiro caso de sucesso. Economias emergentes, como é o caso do Brasil, investem bilhões de reais por ano em infraestrutura, mas nem sempre consideram, de forma adequada, os potenciais impactos das mudanças do clima em seu planejamento. Ao longo dos últimos quatro anos, o ProAdapta contribuiu, de forma significativa, na incorporação de ações de adaptação à mudança do clima em políticas e planos de infraestrutura, que pode ser observado em resultados concretos e positivos que foram alcançados.

“Os principais desafios da infraestrutura em relação às mudanças do clima se referem à promoção da resiliência, com a implementação de ações de adaptação em todos os modos de transporte – aeroviário, hidroviário, rodoviário e ferroviário. Isso se dá com o planejamento a longo prazo, com o mapeamento de vulnerabilidades para que projetos não sejam implementados em áreas de risco que futuramente possam comprometer esse investimento. É um grande desafio mesmo, por isso o Ministério da Infraestrutura trabalha com o planejamento de médio prazo, no caso o  Plano Nacional de Logística 2035 (PNL 2035)”, explica Fani Mamede, complementando: “essa é uma lógica que o Ministério da Infraestrutura começa a usar em suas políticas. Uma vez que, toda a concessão possui um contrato, nosso desejo que é esse documento já traga cláusulas que garantam ações e medidas de adaptação às mudanças do clima. Nosso argumento é que os investimentos iniciais servirão para diminuir os prejuízos no futuro”. 

 De acordo com relatório do Banco Mundial, entre 1995 e 2019, o Brasil registrou mais de 11 mil episódios de danos às infraestruturas, devido a fatores climáticos, representando um prejuízo de R$ 39,13 bilhões. No entanto, o foco não está apenas no gasto eficiente dos recursos públicos, mas na busca de soluções, construídas em conjunto com a sociedade, que possam garantir segurança e qualidade de vida às populações mais vulneráveis aos efeitos da mudança do clima.  

Este é só um exemplo de como ações de adaptação à mudança do clima podem evitar prejuízos e garantir um futuro mais resiliente. Seguindo essa linha, o ProAdapta, que conta com um investimento do governo alemão, por meio da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), e do Fundo Verde para o Clima (GCF) de 9,5 milhões de euros até 2028, trabalha com os seguintes parceiros: 

Adaptação à mudança do clima: uma pauta de todos

Desde 2017, o ProAdapta tem apoiado diversas ações para auxiliar a implementação de políticas e instrumentos capazes de integrar medidas replicáveis de adaptação à mudança do clima pelo Brasil. Em todas elas, o projeto tem buscado destacar que essas medidas devem ser trabalhadas de maneira transversal, ou seja, considerando sempre que possível, as dimensões multissetoriais e multiníveis dos impactos.

Adriana e Fani, assim como outras dezenas de servidores e gestores públicos do país, seja na esfera local ou nacional, estão cada vez mais conscientes da importância de incluir o tema da adaptação à mudança do clima na rotina de planejamento e execução das políticas, promovendo uma gestão mais eficiente dos recursos públicos e contribuindo para a resiliência climática do Brasil. 

Nesse sentido, o ProAdapta tem apoiado ações de sensibilização e capacitação de gestores públicos para beneficiar a transversalidade do tema e garantir capilaridade da inserção da adaptação nos instrumentos de política pública e processos de tomada de decisão. 

Da mesma forma, o projeto trabalha para despertar essa consciência em atores do setor privado e da sociedade civil que, muitas vezes, mesmo sendo severamente impactados em suas atividades e no seu modo de vida, não estão sensibilizados para a urgência em adotar as medidas adaptativas. 

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